Vender um imóvel financiado envolve algumas questões burocráticas que, muitas vezes, parecem inviabilizar a negociação. Isso, no entanto, não significa que você tenha que deixar de vender o seu bem, mas, sim, que precisará tomar alguns cuidados a mais do que na venda de um imóvel quitado.

Além de ser possível, é uma prática muito mais comum do que se imagina. Já que muitas pessoas se submetem a longos prazos de financiamento para a compra de um imóvel e, no meio do caminho, resolvem trocar o bem ou, até mesmo, descobrem que não conseguirão continuar pagando as parcelas.

Para que tudo saia conforme o esperado e não haja nenhum tipo de problema nem para o vendedor e nem para o comprador do imóvel financiado, é preciso que alguns pontos sejam observados com muita atenção. São eles que você conhecerá neste post. Então continue a leitura e saiba quais cuidados tomar!

1. Entenda bem o processo de venda do imóvel financiado

A venda de um imóvel financiado envolve a quitação do saldo devedor ou, ainda, a transferência da dívida para o novo comprador, o que poderá ser feito por meio de um novo financiamento que quitará o primeiro.

Caso o comprador opte por quitar o saldo devedor a vista, você não terá grandes problemas. Porém, se a escolha dele for por transferir a dívida, você precisará tomar alguns cuidados para não ficar com o seu crédito comprometido. É importante ressaltar, que no ato do fechamento do negócio, caberá ao vendedor do imóvel receber somente a diferença entre o valor do bem e o saldo devedor.

A hipótese de manter o financiamento no seu nome e transferi-lo para o nome do comprador no final do contrato — acreditando que, se houver descumprimento, você poderá pegar o imóvel de volta — pode trazer alguns inconvenientes, como restrições ao crédito (no caso de inadimplência) e comprometimento da sua renda (caso precise fazer alguma outra operação de crédito). Por isso, descarte a possibilidade de fazer um contrato de gaveta.

2. Obtenha informações diretamente com o banco

Para que não haja dúvidas, o ideal é levantar as informações sobre como funciona o processo de transferência da dívida diretamente com a instituição financeira em que o financiamento do imóvel foi feito.

Na maioria dos casos, é feito um novo contrato de financiamento em nome do comprador. O valor levantado por meio dele é utilizado para quitar o saldo devedor do financiamento em nome do vendedor, que receberá do banco somente a diferença que restar da quitação.

Mas é sempre bom confirmar com a instituição algumas informações importantes, como a respeito da aprovação do crédito do comprador, o tempo que o processo levará para ser concluído, quais os documentos exigidos etc.

3. Conheça as formas de recebimento

O mais comum é que o vendedor receba à vista a diferença entre o saldo devedor e o valor do novo financiamento, diretamente da instituição financeira que está viabilizando a operação.

Já no caso do pagamento à vista pelo comprador, ele quitará o saldo devedor do financiamento junto ao banco e repassará a diferença entre esse valor e o do imóvel diretamente ao vendedor. Normalmente, isso ocorre por meio de transferência bancária, já que envolve grandes quantias.

4. Faça uma pesquisa de crédito do comprador

Como a transferência da dívida, na maioria das vezes, envolve alguma burocracia — como a confecção de um novo contrato de compra e venda — que pode gerar custos e, certamente, tomará algum tempo de ambas as partes, é importante analisar o crédito do comprador antes de tomar qualquer providência para dar andamento a negociação. Isso, porque no caso de ele não ter o crédito aprovado pelo banco, todo o trabalho e despesas já feitos serão perdidos.

5. Registre um novo contrato de compra e venda

Como já mencionamos, os contratos de gaveta representam um grande risco para os dois lados. O vendedor fica com o financiamento em seu nome correndo o risco de ser negativado, em caso de inadimplência do comprador, enquanto esse corre o risco de perder o bem em função de dívidas que o vendedor venha a contrair antes da transferência do bem.

Portanto, assim que o negócio for fechado, contrate a assessoria de um profissional ou empresa especializada para a confecção de um novo contrato de compra e venda, no caso da quitação à vista pelo comprador. No caso da transferência da dívida por meio de novo financiamento, o contrato com a instituição financeira já exercerá a função de transferência do bem.

6. Certifique-se da quitação dos débitos

Antes de pensar em vender um imóvel financiado, assim como na venda de qualquer outro tipo de propriedade, é preciso verificar a existência de débitos nele. Por exemplo, dívidas de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), taxas de condomínio ou de contas de consumo, como luz e água.

Caso sejam encontrados débitos desse tipo, é possível negociá-los durante a operação, descontando o valor das dívidas do que será pago ao vendedor.

7. Saiba o que não é permitido

O cenário que impede a venda de um imóvel financiado é o mesmo que impediria a transação ainda que o bem estivesse quitado, ou seja, a existência de bloqueios judiciais, em função de outras dívidas do vendedor, ou por situações como um divórcio litigioso.

É comum encontrar quem esteja vendendo um imóvel financiado por não conseguir honrar com as parcelas. Nesse caso, a partir do primeiro inadimplemento, o banco já estará apto a entrar com o pedido de leilão do bem e, caso isso aconteça, ele não poderá mais ser vendido para outra pessoa, a não ser pela própria instituição financeira.

Como você viu ao longo deste post, vender um imóvel financiado é a melhor alternativa para não perder a oportunidade de negociar o seu bem. Com alguns cuidados relativamente simples, é possível fazer uma excelente venda, recebendo, inclusive, o valor do imóvel à vista e permitindo ao comprador o pagamento parcelado.

Ficou alguma dúvida sobre como vender um imóvel financiado? Então se aprofunde ainda mais no assunto e descubra se realmente vale a pena financiar um imóvel!